![Carta De Suicídio (FICTÍCIA)
Hoje eu finalmente fiz a minha escolha. E eu tenho certeza de que você não vai aprová-la, mas eu decidi que eu não vou mais aguentar e que ficou difícil demais. Eu escolhi… Bom, eu escolhi desistir da vida. Eu não consigo mais, tudo ficou além do suportável, passou dos limites. Talvez não seja a coisa mais sensata a se fazer, mas é a única solução que me agrada. Nada mais vai me mudar de ideia. Nem ninguém.
Você pode até dizer que eu estou fazendo tempestade em um copo d’água e que eu estou bancando a ‘rainha do drama’ como sempre, mas não é simples assim. Eu tenho um problema, alguma coisa é errada comigo, sempre foi. E ninguém nunca acreditou quando eu dizia. Eu juro que eu tentei fazê-lo perceber, eu tentei contar, mas parece que o que eu digo nunca é levado em consideração. E aí eu fui me afundando cada vez mais. Eu cheguei ao fundo do poço agora e já não há mais recuperação, eu caí e não vou me levantar […]
Não foi algo específico que me influenciou nessa escolha - foram tantas coisas, que seria difícil demais relembrar de todas - e eu absolutamente não culpo você pelo que vou fazer. Eu culpo a mim. Culpo a mim por deixar certas coisas acontecerem, por deixar certas pessoas impunes, por guardar tantas mágoas dentro de mim. Isso, de uma hora pra outra, explodiu e eu não pude remediar os danos causados.
Eu sei que você me ama e que sempre quis o meu bem, mas as vezes você era egoísta demais. Você estava ao meu lado enquanto tudo estava bem, mas, assim que os problemas começaram, você me abandonou. Todos me abandonaram. Talvez não fosse algo consciente, talvez eu tenha afastado as pessoas que amo, mas eu queria que alguém, eu queria que você, tivesse me procurado, quisesse saber o que estava errado e dissesse um “Não chore, minha pequena”.
Novamente, eu não culpo você, o que eu quero dizer é que se você me deixou, eu me sinto no direito de deixar você. Se você me esqueceu, então é justo que eu o esqueça. E para sempre. […]
Eu vou pedir algumas coisas pra você, mesmo sabendo que eu não tenho esse direito, eu o farei de qualquer forma e espero que você realize o que lhe peço. Primeiro, eu não quero que chore por mim, nunca. Você sabe que eu não mereço e nem faço questão de nada disso, sempre foi assim. Segundo, eu quero que siga com sua vida e que não olhe pra trás. Pode ser difícil esquecer o que eu fiz, eu sei, mas você consegue. Simplesmente não pense nas últimas semanas. E terceiro, lembre-se de mim. Lembre-se de quando eu era feliz e de quando a vida valia a pena pra mim. Lembre-se dos meus sorrisos, das minhas gargalhadas exageradas, da minha voz irritante, das minhas manias estranhas, das minhas atitudes infantis, enfim, de tudo sobre mim. Aliás, você ainda se lembra das duas coisas que mais me faziam feliz? Eu sei que sim. Então, sempre que uma borboleta passar voando por você ou quando você sentir uma leve brisa nas bochechas, sorria, porque, pode ter certeza, essa será a prova da minha presença em sua vida, protegendo-o, como eu sempre fiz.
E agora, amor, eu vou tomar as pílulas, eu já as escolhi. Uma para cada angústia e cada uma de uma cor diferente. Cor-de-rosa, amarelo, branco, vermelho, marrom e, acredite, preto. Eu as tomarei nessa ordem, da mais fraca para a mais forte. E então eu vou me deitar sobre aquele travesseiro que você um dia me deu e vou cair no sono, vou esperar pacientemente até que os remédios milagrosos façam seu efeito. E eu espero que seja você quem me encontre, eu espero que você passe as mãos nos meus cabelos, beije a minha testa e diga que eu serei sempre sua princesa adormecida.
Com carinho da sempre sua,
Bela.](http://25.media.tumblr.com/tumblr_m2fr7rD8541qiosjjo1_400.jpg)
Carta De Suicídio (FICTÍCIA)
Hoje eu finalmente fiz a minha escolha. E eu tenho certeza de que você não vai aprová-la, mas eu decidi que eu não vou mais aguentar e que ficou difícil demais. Eu escolhi… Bom, eu escolhi desistir da vida. Eu não consigo mais, tudo ficou além do suportável, passou dos limites. Talvez não seja a coisa mais sensata a se fazer, mas é a única solução que me agrada. Nada mais vai me mudar de ideia. Nem ninguém.
Você pode até dizer que eu estou fazendo tempestade em um copo d’água e que eu estou bancando a ‘rainha do drama’ como sempre, mas não é simples assim. Eu tenho um problema, alguma coisa é errada comigo, sempre foi. E ninguém nunca acreditou quando eu dizia. Eu juro que eu tentei fazê-lo perceber, eu tentei contar, mas parece que o que eu digo nunca é levado em consideração. E aí eu fui me afundando cada vez mais. Eu cheguei ao fundo do poço agora e já não há mais recuperação, eu caí e não vou me levantar […]
Não foi algo específico que me influenciou nessa escolha - foram tantas coisas, que seria difícil demais relembrar de todas - e eu absolutamente não culpo você pelo que vou fazer. Eu culpo a mim. Culpo a mim por deixar certas coisas acontecerem, por deixar certas pessoas impunes, por guardar tantas mágoas dentro de mim. Isso, de uma hora pra outra, explodiu e eu não pude remediar os danos causados.
Eu sei que você me ama e que sempre quis o meu bem, mas as vezes você era egoísta demais. Você estava ao meu lado enquanto tudo estava bem, mas, assim que os problemas começaram, você me abandonou. Todos me abandonaram. Talvez não fosse algo consciente, talvez eu tenha afastado as pessoas que amo, mas eu queria que alguém, eu queria que você, tivesse me procurado, quisesse saber o que estava errado e dissesse um “Não chore, minha pequena”.
Novamente, eu não culpo você, o que eu quero dizer é que se você me deixou, eu me sinto no direito de deixar você. Se você me esqueceu, então é justo que eu o esqueça. E para sempre. […]
Eu vou pedir algumas coisas pra você, mesmo sabendo que eu não tenho esse direito, eu o farei de qualquer forma e espero que você realize o que lhe peço. Primeiro, eu não quero que chore por mim, nunca. Você sabe que eu não mereço e nem faço questão de nada disso, sempre foi assim. Segundo, eu quero que siga com sua vida e que não olhe pra trás. Pode ser difícil esquecer o que eu fiz, eu sei, mas você consegue. Simplesmente não pense nas últimas semanas. E terceiro, lembre-se de mim. Lembre-se de quando eu era feliz e de quando a vida valia a pena pra mim. Lembre-se dos meus sorrisos, das minhas gargalhadas exageradas, da minha voz irritante, das minhas manias estranhas, das minhas atitudes infantis, enfim, de tudo sobre mim. Aliás, você ainda se lembra das duas coisas que mais me faziam feliz? Eu sei que sim. Então, sempre que uma borboleta passar voando por você ou quando você sentir uma leve brisa nas bochechas, sorria, porque, pode ter certeza, essa será a prova da minha presença em sua vida, protegendo-o, como eu sempre fiz.
E agora, amor, eu vou tomar as pílulas, eu já as escolhi. Uma para cada angústia e cada uma de uma cor diferente. Cor-de-rosa, amarelo, branco, vermelho, marrom e, acredite, preto. Eu as tomarei nessa ordem, da mais fraca para a mais forte. E então eu vou me deitar sobre aquele travesseiro que você um dia me deu e vou cair no sono, vou esperar pacientemente até que os remédios milagrosos façam seu efeito. E eu espero que seja você quem me encontre, eu espero que você passe as mãos nos meus cabelos, beije a minha testa e diga que eu serei sempre sua princesa adormecida.
Com carinho da sempre sua,
Bela.